domingo, 12 de junho de 2011

Reportagem do jornal liberal

DEPUTADOS FEDERAIS PEDEM PRESSA NA VOTAÇÃO DOS PROJETOS QUE RETALHAM O MAPA DO ESTADO

Um dos gigantes da Amazônia, com mais de 1,2 milhão de quilômetros quadrados, o Estado do Pará voltou a ser, esta semana, alvo de separatistas que integram a Frente Parlamentar de Redivisão Territorial da Câmara dos Deputados.
O Pará seria fatiado com a criação dos Estados do Tapajós e Carajás e, ainda, pelo território federal do Marajó. Com isso, o território paraense cairia dos atuais 143 municípios para 62. A justificativa dos defensores da divisão é a ausência da estrutura de governo em Estados de grande extensão territorial, como o Pará, Amazonas e Mato Grosso. Se a separação se consumar, as novas unidades já nascem com milhões de hectares de terras griladas.
Retalhado com a criação do Estado de Carajás, no sul e sudeste de seu território, levando 39 municípios, proposta do ex-deputado Giovani Queiros, o Pará perderia a província mineral de Carajás, a maior do planeta e mais de 60% de seu rebanho bovino. Ceifado em 25 municípios no Oeste, em toda a calha norte do rio Amazonas, com a implantação do Estado do Tapajós, o Pará ficaria sem uma de seus principais atrações turísticas, as praias do rio Tapajós, com destaque para Alter-do-Chão, o Caribe Amazônico. E sem o arquipélago do Marajó, outro pólo turístico, transformado em território federal, os paraenses perderiam outros 17 municípios e veriam seu território ser resumido à Região Metropolitana de Belém e ao nordeste do Estado.
No caso do separatismo no oeste paraense, o mais inusitado é que a proposta de criação do Estado do Tapajós foi apresentada por um parlamentar que nem do Pará é: o senador Mozarildo Cavalcante (PTB), eleito por Roraima.
Autor da proposta de criação do Estado de Carajás, o ex-deputado Giovanni Queiroz diz que o fato que o motivou a lutar pela subdivisão territorial foi a vontade do próprio povo, que reclama constantemente o direito ao desenvolvimento, o qual só será possível com um governo presente. “Um Estado com as dimensões do Pará não consegue pensar e planejar o desenvolvimento, seja no aspecto fundiário, rodoviário, da infra-estrutura ou da segurança”, defende Queiroz, derrotado nas duas últimas eleições que disputou em solo paraense.
Se a população brasileira concordar com todas as propostas em estudo, o Brasil – que atualmente tem 26 Estados e o Distrito Federal-, passará a ter 39 estados e três territórios.
(Belém, Domingo, 13 de março de 2005)

Fonte : jornal Liberal

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